O homem, com naturalidade:
_ a última gotinha vai na cueca
A mulher (des)prevenida depois do desespero e velocidade 5 para que caiam todas no vaso sanitário:
_ a última gotinha vai no carefree
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Cada segundo
Eu odiei cada segundo do seu passado, vomitei nos lençóis em que você havia passado, enxarquei os bordeis em que você esteve. Senti nojo de cada mulher que você já tocou ou tocou para ou te tocou. Quis gritar com você e chama-las de vagabundas, e o fiz. Tive surtos chorosos, melados, arregalados de refluxo ao imaginar a tua língua na dela, nas delas, nas nádegas de todas elas. Caguei para elas, embora ainda possa transformar a cara de cada uma numa buceta se assim for necessário. Lavei minhas mãos para você. Lavei você. Eu ainda não sou seu passado. Odiei pode não estar no passado.
sábado, 4 de julho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Flores
O irônico em tatuar margaridas no corpo é constatar que - muito obrigada, inexorável ação do tempo e das calorias! - elas acabam tornando-se girassóis.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Você
_Você lembrou de fechar o pote de açúcar? Trocou o alcaçuz de luvas? Repôs o estoque de mel, farinha, ovos, chocolates, pirulitos, iogurtes? Cadê a lista de compras? Onde ficou a sua colher de sopa? Puxou por tempo suficiente as balas? Cadê o sifão, por onde anda? Seu granulado é hidrogenado? O que houve com o glacé daquele bolo de bodas? Onde foi parar o glacé das bodas? O que fizémos com o glacé? Muito limão?
_Não puxe minha cobertura.
_Me desculpe a espátula. Boa noite, confeiteiro.
_Boa noite, soufflé.
_Não puxe minha cobertura.
_Me desculpe a espátula. Boa noite, confeiteiro.
_Boa noite, soufflé.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Hollywood
É importante que John R. seja interpretado por alguém que tenha tido um derrame, afetando sua capacidade de fala, e que Ivan K. seja um francófono karateca russo de estatura baixa.
John R.: Então ela está ali, aquela mulher nua. Cabelos quase ruivos, ligeiramente curtos. Seios pequenos, aos poucos cedendo à inexorável ação do tempo – ah, ligeiramente! Eu não enxergo a cor dos seus olhos, tampouco confirmo a veracidade do tom enrubrescido; um lençol enrola o microcosmos do seu quadril como uma constelação protege um planeta inexplorado. Mãos fechadas, suadas, tragando lentamente o travesseiro para entre os dedos. Pecado seria resistir…
(pausa)
E eu não a quis.
Não me importava a cinta-liga esquecida no assoalho, eu só queria… uma coca-cola.
Ivan K.: E por que você não foi embora?
John R.: Eu não consegui... ela era o meu Vietnam.
Ivan K.: E você simplesmente ficou?
John R.: É complicado...
Ivan K.: E ela?
John R.: Me enxotou do quarto depois da terceira.
Ivan K.: E você?
John R.: Joguei as três latas na lixeira amarela e saí obedecendo, como um bom soldado yankee.
John R.: Então ela está ali, aquela mulher nua. Cabelos quase ruivos, ligeiramente curtos. Seios pequenos, aos poucos cedendo à inexorável ação do tempo – ah, ligeiramente! Eu não enxergo a cor dos seus olhos, tampouco confirmo a veracidade do tom enrubrescido; um lençol enrola o microcosmos do seu quadril como uma constelação protege um planeta inexplorado. Mãos fechadas, suadas, tragando lentamente o travesseiro para entre os dedos. Pecado seria resistir…
(pausa)
E eu não a quis.
Não me importava a cinta-liga esquecida no assoalho, eu só queria… uma coca-cola.
Ivan K.: E por que você não foi embora?
John R.: Eu não consegui... ela era o meu Vietnam.
Ivan K.: E você simplesmente ficou?
John R.: É complicado...
Ivan K.: E ela?
John R.: Me enxotou do quarto depois da terceira.
Ivan K.: E você?
John R.: Joguei as três latas na lixeira amarela e saí obedecendo, como um bom soldado yankee.
terça-feira, 3 de março de 2009
Se não há tecla ENTER, não é poesia.
Uma crítica sincera é um furto à poesia de Curitiba. Curitiba não ouve, não ri, não chora. Curitiba sofre sem amor e com lista de casamento na Beatriz Séra. Será Curitiba cidade sem saída. Pedágio no trevo, catraca na feira, pedágio na serra. Cambaleante carnaval, trôpega homenagem: fria, nebulosa e acultural - agasalhada poesia.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Vocês, os infiéis.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Eu me recuso a ter ideias.
Pinguim é um pingo pequeno regado a pão de queijo, doce de leite e goiabada.
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